Coluna do Zé · por José da Conceição Filho
A tenebrosa volta dos ingleses
30 de maio de 2026
Meu pai largou o serviço no porto às 00:30h. e partiu para casa com sua bicicleta, No bagageiro, uma caixa contendo mantimentos comprados na antiga mercearia do Sr. Otávio Aleluia, na ponte da pedreira. Pacotes a granel de farinha, feijão, banha e duas rodelas de linguiça, compradas no final da tarde. Como morávamos no Paulas, cruzámos à volta dos ingleses, local assombrado que todos tinham medo de passar à noite, entre o morro da Bunge e a base do morro da cruz, não existia a BR- 280.
Ao passar o trecho conhecido como a pedra do coração, local havia um tesouro jesuíta enterrado,( Esta pedra está lá até hoje) tem um coração gravado em baixo relevo e localiza-se a 80 metros após o acesso da Bunge.
Ao cruzar este local, meu pai ouviu um choro de criança recém nascida. Continuou pedalando a bicicleta, mas, ficou intrigado, fez a volta e resolveu averiguar o que havia às margens da rua. Abrindo os arbustos percebeu que o choro vinha de um pano enrolado sob o mato baixo.
Abrindo o pano com cautela, percebeu estarrecido sob a luz da lua, que se tratava de um bebê recém nascido. Ajeitou o bebê no bagageiro junto às compras, pensando: Amanhã cedo levo a criança na delegacia.
Após algumas pedaladas, percebeu que o choro da criança ficou mais grave e alto, assustando o velho Zé Lucinda. Segundos depois já não era choro, mas sim um grunhido de fera selvagem. sentiu que aquela coisa estava em pé no bagageiro e o bafo quente do monstrinho roçando sua nuca. Ao virar o rosto e olhar o que transportava, quase desmaiou de medo; o bicho em forma de bebê estava maior expondo dois enormes caninos vampirescos. Como reação instantânea, jogou a caixa de compras com o monstrinho na rua e pedalou como se estivesse disputando uma maratona até chegar em casa.